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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Autobiografia

Sylvia Cesco

Mulher do Mato:
Puro desacato
No ato
Se lhe cortam as asas
Ou lhe interrompem o voo

Mulher do Mato:
Guavirosa e guavireira
Gente-bicho cerradeira
Mãe da Lua parideira
Filha de cheiros verdes

Desassombrada semente
Farpa de arame não a prende
Mourões não a silenciam
Nem lhe tiram o pólen
Nem o vento a engole
Visto ser ventania

Mulher do Mato:
Menina
Que o Tempo não desatina.


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