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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Entrevista com Mário Carabajal

Por Rogério Fernandes Lemes
Foto: Arquivo pessoal.

Nesta edição especial, do 1º aniversário da Revista Criticartes, com satisfação apresentamos aos leitores a entrevista com o Dr. Mário Carabajal, fundador da Academia de Letras do Brasil, a 1ª Academia Mundial da Ordem de Platão, em 1º de janeiro de 2001. Com mais de 24 obras publicadas, é especialista em psicossomatologia e pesquisa científica; mestre em relações internacionais; doutor em ciências educacionais; pós-doutor em psiconeurofisiologia e em filosofia. Por uma questão de espaço, deste periódico, os leitores terão acesso ao conteúdo desta entrevista, na íntegra, no sítio da Revista Criticartes em:
www.revistacriticartes.blogspot.com.br

Criticartes: Primeiramente meus agradecimentos mais sinceros por sua aceitação em conceder esta entrevista quando a Revista Criticartes completa seu primeiro ano de existência literária. Iniciaremos por sua vasta obra. Tem algum livro publicado em outro idioma?

Mário Carabajal: Somam 24 livros publicados. Uma exceção, o romance “Amor eterno” (ficção com viagens no tempo), conta com 4 reedições e 40 mil exemplares vendidos. A última se fez em 2015, pela Editora Alternativa de Porto Alegre, prefaciada pelo Diretor Presidente da Alternativa, Editor Milton Pantaleão. Outrossim, alguns foram traduzidos para outros idiomas - inglês, francês e espanhol. Na atualidade, trabalho simultaneamente em aproximados 40 outros títulos. Faltam revisões e o que de mais nobre e sagrado um escritor pode contar, ‘motivação’ – razões que justifiquem suas finalizações e disponibilização ao grande público. Sou muito crítico, melhor, autocrítico. Para validar um novo lançamento, necessito antes convencer-me da importância da obra – de sua contribuição àqueles que virem a ler. Como a vida é um complexo biopsicofísico-sociopolítico, me exijo, mais e mais, dando sempre tudo de mim ‘meu melhor’ na esperança que possa, de fato, me fazer útil nesta conjuntura tão complexa e difícil existencial, ‘humanocultural e civilizadora’ - onde a escrita, comprovadamente, pode significar evolução. Logo,
“escrever é um ato de grande responsabilidade para com os destinos da própria Humanidade”
e sua História coesistencial para com tudo quanto dela dependa à manutenção da vida em harmonia com a natureza e demais espécies.

Criticartes: Fale-nos sobre sua declaração “vivemos uma crise de identidade”.

Mário Carabajal: Tamanha é a dinâmica dos vetores que atuam sobre a vida da Nação, ao ponto de tornar ultrapassada a recente declaração supra. Nos dias atuais de 2016 o Brasil está saindo desta ‘Crise de Identidade’. Por conseguinte, também financeira, provocada pela corrupção desenfreada. Porém, com fortes promessas de reversão, por força da competente atuação, em especial, da Polícia e Justiça Federais. Quaisquer iniciativas de investimentos, como na própria cultura, não ultrapassavam os limites teóricos, sem quaisquer possibilidades reais de evoluírem. Um país tomado pelo medo, criminalidade, corrupção e insegurança. Em nossos dias, mesmo longe ainda de se contar com bons índices internacionais de investimentos, vive-se ‘não mais o ápice da crise’. A conquista da plena consolidação da Identidade de um ‘Brasil Honesto’ e estável politicamente, pronto para receber investimentos internacionais e apto à reversão dos índices negativos educacionais, humanos e sociais, deve ocorrer a partir de movimentos maciços populares, em apoio aos atos de correspondência e assertivas da Polícia e Justiça Federal. Um país onde todas as engrenagens passam a funcionar em harmonia, interdependência e sincronicidade. Nas ciências encontram-se, com margens mínimas de erros, as prioridades a serem aproveitadas pelas instâncias legislativas a um fazer executivo e judiciário sob assertivas de eficiência e celeridade. Prósperas e progressistas, contemplando os segmentos municipais, estaduais, nacionais e mesmo da própria Humanidade. 

Criticartes: Essa crise de identidade afeta diretamente a produção literária?

Mário Carabajal: O Brasil encontra-se no estágio imediatamente seguinte ao observado no ápice da ‘crise’. Evidenciam-se traços de saída e recuperação. Contudo,
“a produção literária tem sofrido suas consequências, com grande impacto e profundas alterações no fazer literocultural”.
Se por um lado as grandes editoras deixaram de investir no escritor brasileiro, por outro, a crise os conduziu a confrontação do que se lhes verdadeiramente importa – retirando o escritor de uma ‘fila de espera’ de contratos extraordinários com grandes editoras, para, confrontado, sustentar-se em sua autovalorização, passando a investir pessoalmente naquilo que acredita e produz – o livro. Particularmente observei reações diametralmente opostas nos escritores. Tanto aqueles que demonstravam se deixar atingir pela crise, desmotivando-se em seu fazer literário, quanto àqueles determinados, obstinados e destemidos, emergindo da ‘crise’ com ânimo e maior autoconfiança, abandonando o ‘mito’ de o escritor depender de um ‘grande nome de editora’ à conquista de seus sublimes ideais. Frente ao ‘abismo’ porque ‘passou’ o Brasil, ergueu-se um escritor com maior foco, consciente e independente, resultando em um aumento percentual dos índices de produção literária. Isto, se considerando o aumento de autores que ingressaram no mercado literocultural brasileiro. Estes, não apenas conscientes, mas com forte determinação em auxiliar o país à superação da crise. Ainda, em consequência da crise, passam a ocupar a lacuna deixada pelas ‘grandes editoras’, novas editoras, em franca ascensão, como a Alternativa de Porto Alegre, Presidida pelo Editor Milton Pantaleão; Life Editora, do Mato Grosso do Sul, Presidida pelo Editor Valter Jeronymo. Mais recentemente, soma-se a este novo perfil editorial brasileiro, a Rede Mídia de Comunicação e Editora Sem Fronteiras, do Rio de Janeiro, sob a Direção Geral e Editorial da competentíssima Jornalista Dyandreia Portugal, identificando-se com este universo consciente de independentes escritores, em uma grande, plausível e progressista parceria, apostando no pensador brasileiro e sua obra. Oportunizando a todo escritor, a visibilidade e propagação do conjunto de sua obra. Todavia, além deste importante momento, deve o escritor focar nas possibilidades de distribuição e comercialização de sua obra, de onde se lhe retornará, com os merecidos lucros, seus investimentos. As múltiplas consultas às editoras garantem ao escritor independente sua satisfação e pleno atendimento de suas expectativas. Em especial, deve o autor independente discutir o ‘preço de capa’ e condições de pagamento, dentro de uma realidade ‘custo/benefício’ de mercado e investimentos. Dedicando especial preocupação com o custo final da obra aos seus leitores. 

Criticartes: Quais os impactos positivos e negativos da Semana da Arte Moderna no Brasil?

Mário Carabajal: Nobre jornalista Fernandes, seu questionamento, mais uma vez, nos remete a Identidade, desta vez, cultural brasileira. O que se busca? Um Brasil voltado exclusivamente para si ou aberto ao Mundo? Há que se respeitar os argumentos daqueles que defendem pontos de vista antagônicos. Quem erra, sob as máximas de ensaios, erros e acertos de sistematização, mesmo em ensaios errôneos postulatórios, objetiva contribuir à evolução média da Nação. Incorporar-se ou não elementos culturais produzidos fora do Brasil, deve precipuamente, em nossa visão, passar antes pela análise crítica do que se define como cultura e sua antítese – a anticultura. Entendendo-se que o conceito de cultura extrapola quaisquer tentativas de limitação, há que se fazer um esforço conjunto para dicotomizar cultura boa e cultura má. Cultura e anticultura. A responsabilidade do Estado limita-se a uma formação obrigatória mínima de nossos jovens. Daí para frente, abandonados, é um verdadeiro ‘salve-se quem puder’. A força do capital e restrição seletiva de horizontes formativos, por outro lado, dá maior ênfase à ‘fugaz corrida de tolos’, em detrimento as reais aspirações dos seres. Logo, tolhidos de seguirem o caminho científico que os realizaria plenamente, para muitos, sem criatividade e competências pessoais, o que passa a importar é a entrada intrépida, desmedida e sem quaisquer pudores de incessantes e ilimitados ‘capitais’. Sobretudo, em um país com tantos exemplos negativos, em especial, àqueles emanados pela classe política, refletindo os ‘transtornos de identidade’ sobre o ser em formação da própria personalidade. Poucos, no entanto, se atrevem apontar objetivamente para a anticultura, independentemente se gerada dentro ou fora de nossas fronteiras. Apontar ‘objetivamente’ para a ‘anticultura’ significa expor-se, ao assumir uma postura. Posicionamento o qual, para àqueles que usurpam da liberdade, é associado à censura. Por ocasião da Semana da Arte Moderna, de um lado aqueles que buscavam por uma identidade cultural própria e genuína para o Brasil. De outro, aqueles que aludiam a um fazer cultural sem fronteiras, incorporando-se o que era também produzido em outros países. Sabidamente havia de se fazer algo em relação ao que ser aceito, incorporado e validado à práxis cultural brasileira. Acredito haverem sido estes os maiores objetivos da Semana da Arte Moderna em 1922: clarificar pontos de desequilíbrio da ‘balança cultural’. A priori, tais objetivos, atingidos ao serem geradas discussões que perduram ainda nos dias atuais. Em nossas análises e visões, de pretensas contribuições, ser brasileiro não se faz excludente à incorporação de culturas internacionais. Contudo, sob um olhar inteligente, crítico e comedido, capaz de otimizar experiências e culturas, independentemente de sua origem e época, livre, contudo, de psicossugestões e induções anticulturais contrárias a natural ordem ‘humanoevolutiva’. Não obstante, aos leitores da Revista Criticartes, dirigida por este exime sociólogo, jornalista e poeta, Rogério Fernandes Lemes, solicito, se escritores, jornalistas, professores e ou cientistas, dedicarem espaço, em suas produções, à análise de ‘letras de músicas’ com poderes psicossugestivos anticulturais, apontando ‘critico-construtivamente’ tais resultados aos seus autores, na esperança que estes, confrontados pelas críticas, redimensionem e redirecionem suas inequívocas capacidades aglutinadoras e conducionais, para tornarem-se ‘artistascidadãos’ do bem, auxiliando na difícil condução de uma imensa população, como a brasileira, com prazerosas e estimulantes produções musicais, em harmonia e equilíbrio com as necessidades humanas de saúde e hábitos saudáveis à construção de personalidades fortes e com perspectivas de longas e saudáveis existências.

Criticartes: Qual sua percepção sobre a ética e a estética na literatura brasileira atual? Teria alguma crítica à produção brasileira?

Mário Carabajal: Ética e estética caminham juntas. Difícil suas desvinculações.
“O bom gosto e os valores contributivos difundidos através dos livros somam-se e ganham forma, a priori, em mentes de escritores com comprovada maturidade humana, política e social”.
Quando de seu distanciamento, a obra encontra naturais obstáculos em meios de maiores exigências. Contudo, não é incomum de obras sem estes valores primordiais serem contempladas como se profícuas fossem. Mas, ainda assim, cumprem relevante papel, ainda que pela formação do hábito da leitura, em leitores principiantes, menos exigentes. Não nos compete criticar a forma e formato como nossos escritores expressam-se. Em especial, por admitir que a produção literária, individualmente, passa por estágios psicomaturacionais de seus autores, desde aquelas sem quaisquer pretensões, traduzindo pulsões, latências e nuances emocionais daqueles que escrevem, as quais são reveladas como autoterapia, iniciando com uma problematização, evoluindo a uma confrontação de conceitos e ideias catexizadas – interiorizadas, pelos contundentes valores axiológicos – externos, conquistando em suas finalizações respostas de equilíbrio e momentâneo bem estar àquele que as produz. Isto, por emergirem a mente a partir de ‘inquietações’ emocionais, atendendo por extensão, aqueles em estágios psicomaturacionais semelhantes, detentores e vivenciadores de momentos experienciais de equivalência ao escritor. Inequivocamente os fatores emocionais sempre estarão presentes e influenciando quaisquer produções literárias, mesmo àquelas científicas. Tudo tem uma origem. Absolutamente nada tem vida própria. A interdependência e atuação ‘dinamicomental’ de todos os seres está para o escritor como o macro para o microcosmo. No universo ou como apontam as teorias mais atuais, universos, não se observa o fenômeno da ação. Tudo é reação. Logo, quaisquer estágios porque passe a dinâmica mental de escrita daqueles que transitam no mundo producente literário, obedece a leis e ordens intrínsecas evolucionais, inerentes a todos os seres. Logo, a ética e estética correspondem ao estágio cultural médio da Nação, demonstrado em intrínsecas amostras de produções literárias, musicais, Leis, prolatações de sentenças judiciais, teses, dissertações, monografias, Estatutos sociais... Atrás da Ética e Estética existem seres, com maiores ou menores domínios, competências e saberes. Por trás dos seres, existem sistemas educacionais, acessos à leitura, organizações culturais e heranças ‘sociofamiliares’ civilizatórias. Sob tais premissas, pode-se enunciar o ensaio de serem, Ética e Estética, fruto da evolução humana, em seus respectivos estágios de correspondências. O Brasil, em nossa análise, conta com fortes elementos, nas pessoas de seus escritores, jornalistas, pesquisadores, professores e profissionais dos mais amplos segmentos, como também de organizações voltadas à cultura, à conquista de níveis de excelência Ética e Estética – veja-se exemplo concreto no jornalista Rogério Fernandes Lemes, ao apontar em seu questionário de entrevista para a Ética e Estética, passando a inferir perspectivas evolucionais no fazer literário de um país gigante como o Brasil. Potencializando a produção literária de qualidade ao inferir referenciais de observância àqueles que escrevem.

Criticartes: Como recebeu a informação do prêmio Nobel de Literatura 2016 ser concedido ao cantor Bob Dylan? É fato que a decisão não agradou e tem gerado muitas críticas.

Mário Carabajal: Bob Dylan enquanto ‘escritor/poeta’ se expressa em composições poéticas musicalizadas altamente críticas. Onde satiriza a cultura americana de exaltação ao espírito patriótico de incentivos à xenofobia, guerra e ódio contra russos, reservando um conceito de Deus aos mais altos propósitos da política americana. Em suas letras, Dylan, soma a seu tempo ao colocar questões como a segregação racial e diversidade. Aponta para a necessidade de uma justiça imparcial, independente da cor da pele. Seria um tanto pretencioso de minha parte escrever sobre a vasta obra de Bob Dylan, merecedor, sem dúvidas, desta Imortal honraria. Particularmente, se Bob Dylan, Adail Maduro Filho (roraimense), Daniel Chaves (paranaense - autor de 5 mil provérbios, superando o próprio Rei Salomão), Fídias Telles (pernambucano), entre outros milhares de eximes escritores, e dentre estes, poetas e compositores de todo o mundo, extremamente críticos para suas épocas, com palavras e filosofias de ordem, humildade, verdade, igualdade, liberdade e fraternidade, são todos dignos de se tornarem referenciais. A priori,
“a crítica maior à Dylan deveu-se ao seu silêncio após ao anúncio oficial de haver sido eleito pela academia para o prêmio Nobel de Literatura 2016”.
Contudo, os seres reagem diferentemente aos estímulos. Diante a morte de um irmão, em passado próximo, não chorei, soando como insensível. Contudo, meu sentimento de perda, ainda hoje permanece. Minha reação a semelhante anúncio, de tamanha magnitude, como o Nobel, sabedor de existirem milhares de outros escritores aos quais admiro e admito com maiores obras, ações e filosofias, também careceria de tempo a sua assimilação. Provavelmente, o sentimento que o ‘travou’ não vibrando e comemorando, tenha sido de ‘vergonha’ e mesmo em respeito aos seus ídolos literários, os quais, em sua provável opinião, seriam os verdadeiros merecedores do Nobel de Literatura/2016. Salve Dylan! Parabéns a academia pela escolha! 

Criticartes: Nesta 5ª edição da Revista Criticartes homenageamos nosso poeta conterrâneo Manoel de Barros. O Senhor teve algum contato ou mesmo influência da poética dele?

Mário Carabajal: O intelectoirreverente pantaneiro, Imortal Manoel de Barros, influenciou a cultura brasileira com seu lirismo, humor e crítica, assim observo, ao rigor gramatical, enquanto literatura popular. Ao fazê-lo, sem receios à crítica, Manoel de Barros lança as bases de um pré-modernismo, mais despojado e comprometido com a mensagem, confrontando a ordem em razão do deleite e prazer da leitura, por assim dizer. Em sua obra ‘Livro Sobre Nada’ com leveza, requinte e sutileza sem precedentes, poesia e prosa unem-se em um ‘eu poético’, tornando-se creio, o momento de maior inspiração de Manoel de Barros, projetando-o definitivamente na História Literária Brasileira. Contudo, como em toda a sua obra, a despretensão ganha lugar irrefutável. Provavelmente por isso seja amado e respeitado em todos os segmentos e tempos da literatura. Manoel de Barros identifica-se com seus leitores ao utilizar-se de ‘realidades’ comuns a todos, demonstrando que a Imortalidade encontra-se lado a lado com a simplicidade e humildade. Querido e saudoso amante da alegria e natureza, com humor e estilo inconfundíveis! Manoel de Barros - um escritor Imortal de obra literária operante e Eterna! Eis um exemplo que inspira e motiva à arte literária! 

Criticartes: Fale-nos um pouco sobre o ideal da fundação da ALB em âmbito global? O que é, de onde vem e o que pretende? 

Mário Carabajal: A Academia de Letras do Brasil - ALB, instituição de integração dos escritores e artífices da Cultura Literária Brasileira e veículo à criação do CONSALB – Conselho Superior das Academias de Letras do Brasil, encontra-se, em 2016, presente no Território Nacional Brasileiro e 19 países. A ALB instala-se oficialmente no início do Terceiro Milênio, com o objetivo de integrar, estimular e valorizar o escritor, a cultura literária brasileira e internacional. Muitas academias, em todo o Brasil, mantem-se alheias, sem manifestarem-se em relação ao Movimento Nacional de Integração das Academias de Letras do Brasil, traduzido pelo CONSALB. Não obstante, nossa proposta de criação do CONSALB, em 1995, resultou no amadurecimento à criação da Academia de Letras do Brasil. Sob o axioma de uma Cultura Ativa, a ALB propõe despertar a consciência política da sociedade. E assim se fez, de forma contundente e ininterrupta, de Norte a Sul do Brasil, desde a sua fundação em janeiro de 2001, até os dias atuais de 2016. A Academia de Letras do Brasil é uma organização de Cultura atípica. Ao contrário das demais academias e entidades culturais, a ALB é uma organização Cultural 'Ativa' Politicamente. Traduzindo-se por esta razão, na Primeira Academia Mundial da Ordem de Platão.
“O 'Grande Sonho' encontra-se no fomento de uma Cultura Literária mais Ativa e menos Telúrica”.
Razão pela qual o escritor do Terceiro Milênio necessita acreditar, sobretudo, na menor fagulha de seus pensamentos. Pois, representam as centelhas que unidas transformarão a vida sobre a Terra. Nossos Pensadores devem, sem nenhum receio, assumirem o rótulo de 'sonhadores'. Pois, a priori, o sonho é aquilo que de mais concreto a humanidade possui. Toda realidade construída pelos seres, por mais concreta que aparente, encontra nos sonhos, suas origens. Nossa contribuição vai desde oferecer espaço para novos autores à geração de projetos que visem a erradicação da pobreza mundial, desarmamento Nuclear, fim das guerras, melhorias na educação, apoio à diversidade cultural e combate à corrupção. Resumidamente, a ALB – Academia de Letras do Brasil nasce em dezembro de 1994, quando sugerimos ao então Presidente da Academia Brasileira de Letras, Imortal Josué Montello, a abertura da ABL ou criação de uma academia brasileira mais representativa, com extensões em seccionais Estaduais e Municipais. Contudo Montello acenou positivamente à segunda proposição, de criação de uma nova organização literária brasileira, admitindo a impossibilidade e dificuldade a um redimensionar estatutário da tradicional Brasileira. Seis anos depois, estávamos com as bases da ALB prontas à conquista de sua Personalidade Jurídica. Isto, em 01 de janeiro de 2001 - a ‘Nova Academia’ de todo escritor brasileiro, com maiores possibilidades integrativas dos pensadores das diversas Regiões de um país com dimensões continentais como o Brasil. Ultrapassando, contudo, nossas expectativas. A ALB passou a receber escritores brasileiros residentes no Brasil e no exterior.
“Os ideais de fundação remetem a uma instituição literocultural com propósitos de servir ao Brasil a partir da práxis literária”, ao incorporar, institucionalmente, o pensamento da ampla maioria dos escritores brasileiros - servindo como referencial a um país em construção da própria identidade. Isto, não apenas sob as bases fundamentais dos pilares elementares do fazer literário estrito, com máximas na língua portuguesa. Mas, em particular, propondo-se unir escritores em torno de uma organização politicamente ativa, suprapartidária, como aspirava Sócrates e Platão. Por um fazer menos telúrico, aproximando o pensamento producente individual, em torno de um centro canalizador polarizante, onde os pensamentos se fundem, apurando-se e retornando à ampliação da extensão paradigmaximizativamente. As Seccionais Estaduais e Municipais devem desenvolver ações ‘literocontributivas’ à institucionalização, a partir dos Planos de Expansões Municipais, onde se encontrem, ao plantio de mudas de árvores frutíferas em canteiros públicos, praças, logradouros, estradas municipais, para que em futuro próximo, números astronômicos de frutas encontrem-se fora das práticas comerciais como objetos de mercado, livres da troca por moedas, ao alcance de um simples estender de braço daqueles acometidos pela fome. Para o emergente alcance das metas, a ALB criou uma diretoria própria, ALB/Humanitária, dirigida pela Primeira Dama da ALB, Imortal, Dra. Dinalva Carabajal – PhI e Embaixadora para o Brasil, da Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture (Fundada e dirigida pela Imortal Diva Pavesi). A ALB, mesmo caminhando para o seu décimo sexto ano de fundação e vigésimo segundo de concepção, ainda estrutura-se, perseguindo o ideal de completar-se enquanto entidade literocultural politicamente ativa. Como o faz o nobre confrade, entrevistador, sociólogo e jornalista Fernandes Lemes, ao dar forma e formato à Revista Criticartes, sinalizando à cultura literária brasileira, em questionamentos personalizados daqueles a quem entrevista, não delimitando espaço, em ‘liminar mensagem’ traduzida em incentivo à produção literária brasileira. Transcendendo ao objeto inicial ‘entrevista’, para dar lugar a possibilidades expansionais ‘literodifusionais’ de novas visões. Estas, por excelência, no que se absorve como objeto final da Revista Criticartes, de expectativas paradigmaximizativas e evolucionais, de promessas plausíveis ‘filosofoimplementacionais’ que sinalizem a um novo tempo à literatura. As experiências concretas em Municípios, Regiões, Estados e Países ganham dinamicidade ao encontrarem ‘Presidentes e Representantes’ preparados para a complexa tarefa de conduzirem uma ‘Entidade de Livres Pensadores’ – os quais têm total liberdade de expressarem suas opiniões e resultados de suas análises, sem que o corpo dirigente da ALB lance, sobre os mesmos, quaisquer represálias ou tente limitá-los ou calá-los. Ao contrário, entre as Missões da ALB encontra-se o total e irrestrito apoio - mesmo aos sonhos e ideais mais impossíveis de cada um dos Membros. Sem quaisquer hipocrisias, a ALB não oferece diretrizes ou exige que os Membros acompanhem ou delimitem suas trajetórias, restringindo-as as visões institucionais, como se em ‘algo’ a eles fosse a organização superior. Compete àqueles que representam a ALB, em quaisquer instâncias, colocarem-se nas trajetórias dos escritores Membros como se grandes espelhos fossem refletindo, ao máximo, as manifestas e irradiantes luzes daqueles que integram o ‘Sonho ALB’. A nenhum Presidente, Diretor, Conselheiro, Representante ou Membro, em quaisquer extensões da ALB, se lhe é permitido utilizar o nome da entidade para angariar recursos pessoais. Salvo ‘Patrocínio’ – definido e identificado como tal, de doações espontâneas, sem ‘moedas de trocas’ em forma de títulos ou medalhas, os quais apontem metas claras literoculturais do Membro ou da Organização, sem especulações e vantagens individuais, com prestações de contas públicas e abertas.
“A ALB, como as demais organizações culturais que preservam a Liberdade de Expressão, sofrem distorções internas, com o não entendimento dessa máxima”.
As academias surgem exatamente para oferecerem um meio de paz e tranquilidade, capaz de abrigar Livres Pensadores. A ALB, com foco na Ordem de Platão e de Sócrates por herança - os quais se dedicavam à difusão de uma cultura politicamente ativa, sob máximas da liberdade resultante da aquisição de novas culturas, refuta ao telurismo pragmático corporativista, o qual discrimina, ilude e mantém o poder e status de grupos de intelectuais, pela antevisão ‘precursória’ de serem todos os demais grupos e seres inferiores. Quando em uma só voz os seres unirem-se ao que de fato interessa, respeitando-se mutuamente, sob equivalências isonômicas de contribuições laborais, em prol da saúde e prosperidade indiscriminadamente, encontrar-se-á, a civilização em seu estágio inicial de fraternidade à sincronicidade de exigência a um viver em comunhão, sob a premissa efetiva e assertiva de serem todos os seres iguais. Os pensamentos, sonhos, filosofias e ideais são o que demais concreto os seres possuem. Todas as conquistas e edificações humanas iniciam nos sonhos e pensamentos. São os escritores, aqueles que mais se exercitam na arte de sonhar e pensar criativamente. Logo, a ALB sonha com a produção de livros, poesias e filmes, com efetivo caráter contributivo à condução da humanidade. A partir de visões claras que possam modificar, para melhor, os sistemas e o próprio Mundo.
“O grande sonho da ALB, quando de sua criação, fora reunir os escritores brasileiros em torno de uma entidade que os convida e os incentiva a exporem-se um pouco mais, dedicando parte de suas escritas e competências literárias a possibilidades resolutivas dos grandes problemas Nacionais e Mundiais.”
Imprimindo à escrita, um traço útil, de maior frequência com nosso tempo, realidade e mais comprometida com o futuro da Humanidade. Uma escrita Criticoevolucionista ou Criticomaturacional, denotando compromisso e responsabilidade humana, política e social, em comunhão com os sofrimentos e necessidades humanocivilizatórias. Utilizando-se de pequenas contribuições em análises e geração de alternativas sugestivas e criativas à resolução e equação de problematizações conjuntas sociais. Isto, sem perda da escrita que forma, informa, alegra, inspira e sistematiza. Alimenta a criatividade, acalma, distrai e orienta, também indispensáveis ao equilíbrio e sustentação psicoemocional pessoal e social.

Criticartes: A ALB possui um repositório literário com as obras dos membros para acesso? Existe esse repositório online?

Mário Carabajal: Essa meta compõe também nossos objetivos. Iniciamos esse trabalho. Os autores Membros da ALB enviavam exemplares para o nosso Departamento de Registros Históricos Documentais em Brasília, objetivando-se reunir em uma biblioteca as obras de Membros da ALB. Contudo, após alguns anos, os livros foram doados. A maior possibilidade transformadora de um livro encontra-se em sua disponibilização aos leitores. Assim se fez com todos os livros enviados para o acervo da ALB em Brasília. Atualmente, estuda-se, com um de nossos webdesign do Departamento de Tecnologias da ALB, uma forma facilitada e automática de nossos Membros disponibilizarem suas obras através do Site Oficial da organização. Um mapa mundial deve ser colocado no Site, onde pontos com links apontarão para nossas Seccionais. Ao serem estas acessadas, conduzirão os visitantes à História da Seccional, Diretoria e Membros, seus patronos e obras, inclusive à livraria da ALB, com possibilidades de aquisição das obras.

Criticartes: Em linhas gerais, como está o desenvolvimento da produção literária da ALB em todo o país? Existe uma coletânea ou antologia com a produção dos membros de todo o Brasil?

Mário Carabajal: Isso já aconteceu ou há previsão? Nas bases da filosofia de fundação da ALB, os sonhos ocupam lugar ímpar, preponderante e de supremacia ao demais. Assim, a produção literária da ALB encontra-se em plena e infinita construção. Sonhando-se com uma academia que se faça presente na vida brasileira e mundial por incontáveis anos. Inúmeras antologias foram produzidas a partir de iniciativas de nossos Presidentes, Diretores e Membros, em instâncias Regionais, Estaduais, Municipais e Internacionais. Contudo, somente agora retomou-se a proposta de uma obra, em formato de Coletânea, proposta pelo Imortal Vladimir Cunha Santos, Vice-Presidente da ALB/RS. Em 2015, por ocasião de encontro com um dos Diretores da Editora Alternativa de Porto Alegre, ao participarmos do evento de lançamento de outra antologia pela Alternativa lançada, com preponderância de escritores da ALB/Amazonas, presidida pela escritora, Imortal, Dra. Silvia Carvalho, conseguimos delinear a obra que atenderá integralmente o questionamento levantado pela Revista Criticartes. Trata-se da Coletânea Imortais, de publicação anual, a qual objetiva ampliar a visibilidade dos escritores Membros da ALB. A Coordenação de lançamento da campanha publicitária de adesões elegeu novembro/2016 para difusão do Projeto. Objetiva-se reunir, ano após ano, os aproximados 8.600 Membros, considerando-se 900 jovens ‘escritores potenciais’ identificados por concursos literários escolares ou por indicações de seus professores, fundamentados em trabalhos em sala de aula, no âmbito da Secretaria de Educação do Estado de Roraima, tanto da capital quanto do interior, passando a integrarem, estes jovens, a ALB/Estudantil de Roraima. Projeto este, desenvolvido em conjunto pelas Direções escolares e a Presidência da ALB, dentro das próprias escolas, em atendimento ao Projeto Piloto da ALB. No primeiro volume da Coletânea Imortais, como procedimento usual em antologias, participarão, prioritariamente, Presidentes, escritores Membros e seus convidados, precipuamente aqueles que confirmarem em tempo suas adesões. O volume I contará com não mais de 150 autores, estimando-se máximas 300 páginas, com uma tiragem de 10 mil exemplares. Participam, observem-se, Membros da ALB e Convidados. Logo, os Membros que convidem escritores externos à ALB, estarão paralelamente fazendo suas indicações à Cadeiras Vitalícias nas respectivas instâncias de suas residências. Espera-se uma grande adesão inicial por Presidentes, Diretores e Membros da ALB. Ainda, em resposta ao questionamento da Revista Criticartes, a ALB acredita que todos os seres, independentemente de suas formações, contem com potenciais latentes, prontos a aflorarem, desde que estimulados, como o faz a escritora Imortal, doutora em Filosofia Univérsica, Pérola Bensabath, ao organizar volumes anuais, em regime de coautoria, revelando centenas de excepcionais escritores, sem perda de maior visibilidade também àqueles já consagrados que participam do Movimento Literário Brasileiro Elos Literários. Ou, como o faz a escritora brasileira, Imortal Apolônia Gastaldi, Presidente da ALB/SC – Ibirama e Microrregional do Alto Vale Itajaí – Presidente do Conselho Estadual da ALB/SC e Membro do Conselho Superior Nacional da ALB, ao lado do Professor Doutor, Miguel Simão, Presidente Fundador daquela Seccional Estadual Autônoma, ao fomentarem, orientar e acompanhar produções solo dos escritores Membros, inclusive de escritores ‘crianças, jovens e adolescentes’. A ALB/SC – Ibirama, presidida pela Imortal Apolônia Gastaldi, pelo terceiro ano seguido, em 2016, promove o Terceiro Encontro de Academias, Escritores e Poetas de Santa Catarina. Ainda, como o faz anualmente o escritor Imortal, Dr. Carlos Venttura, com a obra bilíngue A era das palavras, oportunizando visibilidade internacional àqueles que participam desta belíssima e profícua Coletânea. Não obstante, também o escritor Imortal, Dr. Mauro Demarch tem oportunizado grande visibilidade a escritores novos e consagrados, através da Coletânea Encontro de Escritores, reunindo escritores nacionais e internacionais. Também a ALB/Brasília – DF, sob a presidência da Imortal, Dra. Vânia Diniz, tem produzido anuários e antologias. Agora, busca-se reunir os Membros da ALB na obra que se traduzirá no pensamento da organização, sob o sugestivo título designativo de seus Membros ‘Imortais’, estendendo-se aos escritores ‘Convidados’ por nossos confrades e confreiras.

Criticartes: O que é ser um poeta verdadeiramente? Qualquer pessoa que faz versos é um poeta?

Mário Carabajal: Em meu ver e entender, sem a pretensão de encerrar a questão, ser poeta, não significa escrever versos bem ou mal. O verso deve expressar sentimento e sensibilidade. Também exige uma mensagem que resulte em evolução do ser, sociedade, humanidade, harmonizando-o com a natureza.
“Ser poeta denota uma condição de vida, esta, no comportamento, no humor, na forma encontrada à resolução de problemas. Ser poeta, em minha ‘pretensa’ análise, ultrapassa os limites das palavras, ganhando significado mesmo em um traço, um ângulo, uma curva”.
Um pensamento! Uma contemplação! Um simples sorrir ou olhar, puro, com ódio, envergonhado ou de altivez. O poeta pode não ser humano, como um movimento de galhos, folhas ou ondas do mar. Está no som, textura. Necessitando, tais instâncias surreais do ‘Ser Poeta’, serem capitadas e decodificadas em linguagem poética convencional. Ser poeta pode ultrapassar limites e delimitações, regras e convenções. Na poesia a própria matéria, astros e animais se comunicam, jamais são sacrificados e até mesmo falam através do autor. Cantos se calam para dar lugar a simples sons em poesias expressos pelo ar. Ser Poeta, humano, de livro na mão, em comunhão com a gramática e academia, sem críticas e ironia, aplausos! O poeta é todo ser que utiliza a forma poética, em versos, observadas a beleza e a estética, para transmitir suas análises da natureza e impressões emocionais, em todo seu esplendor, espanto e admiração, dúvidas e conclusões, alegrias e tristezas, amor e ódio, anseios, medos, saudades... O verdadeiro poeta vive sua poesia. Admiro e respeito muito os poetas, por se fazerem a própria expressão ‘pura, sábia e artística’ da luz do pensamento emotivo humano. No entanto, atrevo-me aconselhá-los serem um pouco menos rigorosos consigo. Isto, por observar-se nos poetas, um desgaste pessoal muito profundo, como resultado de vidas e mentes que se entregam e se consomem pela própria arte poética e exercício reflexivo filosófico. 

Criticartes: Quais foram os autores que o influenciaram em sua produção literária?

Mário Carabajal: Quando criança, eu lia tudo o que encontrava. Mas foi Olavo Bilac, aos 9 anos, por incentivos da professora Margarida, na quarta série, meu primeiro autor. Minha mamãe (Manuela Cacilda), me presentou posteriormente com um dos livros de Bilac. Contudo, só adquiri o hábito de ler, de fato, salvo livros de disciplinas escolares, aos 17 anos, quando no Rio de Janeiro, na Fortaleza de São João, um grande amigo, tenente Moura, convidou-me para organizar a biblioteca dos oficiais. Livros empilhados e empoeirados, onde ‘sozinho’ sentia-me acompanhado por centenas de autores e suas filosofias. Não conseguia colocar um só livro na prateleira, em sua ordem, sem antes aventurar-me em suas páginas. Isto em 1977. O conhecimento e liberdade, propostos pelos livros, fazem com que os leitores acabem por confrontar e criticar os sistemas, retornando-lhes a ‘força diametralmente oposta’. Mas é a única forma e meio de evolução. Não há evolução sem a otimização da cultura. Salvas aos nossos autores!

Criticartes: Dentre seus livros publicados, quais os gêneros? Existe algum de poemas?

Mário Carabajal: Imortal Rogério Fernandes Lemes, assim o trato por ser o nobre sociólogo e jornalista, também escritor, Membro Vitalício da ALB/MS - somente um entre os meus livros ‘Estado de Espírito’ ganhou traços poéticos. Não! Equivoco-me, também o quinto ‘Em Busca da Evolução’, utilizei-me da poética, para registrar, a priori, o que jamais pretendia publicar, mas por incentivos de amigos, acabei encorajando-me. Isto em 1993, se não me falha a memória! Antes de dormir eu sempre orava/rezava e, por achar muito interessante o que conversava com Deus, passei a registrar tais pensamentos, resultando no livro ‘Orações Filosóficas’. Outra excepcionalidade em minha linha de escrita ocorreu em 1995, quando a partir de um sonho, ao acordar, em um sábado,
“trazia na mente um romance completo, com lugares, épocas, enredo, personagens, protagonistas”
e o mais incompreensivo, interessante e impressionante, o sonho o qual transformei em livro, trazia minha esposa, Dinalva Pereira Barbosa, a qual só conheci/reconheci, identificando-a como a protagonista de meu sonho/livro alguns pouco anos depois, em 2001, confirmando matrimônio em dezembro de 2016, em igreja de Copacabana, no Rio de Janeiro. Este sonho/livro, o qual me apresentou a ‘Mulher da Minha Vida’, comecei a escrevê-lo em um sábado pela manhã, ao acordar, finalizando-o no dia seguinte, domingo à noite, quando coloquei o ponto final. Fora estas três exceções de gêneros literários, os demais livros são técnicos e científicos. Escrevi muito na área de psicanálise. Atualmente trabalho sobre aproximados 40 outros títulos de futuros livros.

Criticartes: Quais os livros que o senhor indicaria para os novos escritores e poetas brasileiros, no sentido dessas leituras contribuírem para o aprimoramento intelectual e artístico, bem para manter e alimentar a musa, tão falada pelo Ray Bradbury, por exemplo. 

Mário Carabajal: O mato-grossense Manoel de Barros ou o alegretense Mário Quintana e o carioca Olávo Bilac, entre uma centena de outros excepcionais escritores de fascinantes obras referenciais, podem auxiliar na formação de valores iniciais dos seres. Estes foram àqueles que mais influência cultural exerceram sobre o meu ser em minha infância. Martha Barros, filha de Manoel de Barros, ilustrou o livro do pai ‘Poeminhas em Língua de Brincar’, de onde, pela união de palavras e ilustrações, resulta em um lindo mundo, atraente e recheado de simbologias para crianças. Bons livros (lidos ou adaptados para a TV e Cinema) moldam e auxiliam na importante formação de valores originais – por serem, após aos ‘mandados parentais – emitidos pela família’, os seguintes a serem interiorizados e validados pelos seres, passando a balizar condutas e comportamentos presentes e futuros de quem os lê ou assiste.
“Um mundo sem maiores distorções e criminalidades, necessariamente, passa pelos humanos e criativos escritores de literatura infantil”.
Os quais, aproximam os iniciantes leitores de um fazer construtivo, consciente e responsável de suas vidas, sob assertivas integradoras e harmônicas com a natureza. Ensinam a contemplar e melhor apreciar o belo, dócil, rústico, humilde e verdadeiro. Revelam às crianças a arte de abstrair ensinamentos de suas experiências, ainda que de difíceis, inóspitas e por vezes dramáticas realidades. Não obstante, os escritores revelam ensinamentos até mesmo pinçados da tragédia. Meio aos atuais responsáveis por esta linda e magistral arte de levar às crianças e adolescentes os verdadeiros valores que dignificam e bem justificam o crescer e expandir horizontes, sonhar e contribuir à edificação de um mundo harmônico, próspero e humano, observam-se efervescentes especialistas, mestres e ‘doutos’ nessa mágica contribuição, como as escritoras Lorena Zago, Apolônia Gastaldi, Arlete e Júlio Cesar Bridon. Também, entre outras joias da ALB, a jovem Membro da ALB/SC – Presidente Getúlio/Mirim, Eduarda Gabriely Bairros, autora de ‘A gatinha de julinha’. Seriam incontáveis os escritores que fazem da literatura uma linda e verdadeira arte de iluminar mentes, irradiar e resgatar vidas, como o Imortal, Dr. Gustavo Dourado, da ALB/DF – o qual defendeu sua dissertação de Mestrado, utilizando-se da forma poética, mesmo abordando o difícil tema ‘Fome no Mundo’.

Criticartes: Para aqueles que desejam fazer parte da ALB quais os critérios a serem atendidos?

Mário Carabajal: Mestres e Doutores não necessitam comprovar serem escritores, por força de suas indispensáveis e obrigatórias produções cientificoliterárias à conquista de tais títulos.
“O principal quesito de ‘imortalidade’ de um escritor é a sua obra”.
Ainda que um escritor conte com o título Imortal, por pertencer a uma academia, poderá outro, sem esse mesmo título, ser imortalizado na perenidade de sua filosofia e obra. Não basta ‘estar’ Imortal. No entanto, por força de uma organização acadêmica, contarão seus Membros com grande atenção sobre suas obras e nomes, pela lembrança e ações acadêmicas, ano após ano, sem jamais cessar. Isto, por assumirem o status natural de Patronos ‘de novas Cadeiras’ quando de suas mortes. Logo, as academias influenciam no reconhecimento público dos escritores ‘imortalizados’ em Cadeiras Vitalícias. Não obstante, em vida, unidos em torno de academias, encontram caminhos e facilidades a uma maior visibilidade de suas obras, com naturais projeções pessoais.
“A academia motiva, incentiva, fomenta e auxilia significativamente à editorialização do que é produzido por seus Membros”.
Tanto pelo natural meio multiliterário ensejar trocas experienciais, quanto pela formação de elos entre autores e editoras, resultando em maiores facilidades de publicação. Os escritores necessitam fazer com que suas obras sejam lidas, propiciando reflexões e profundas mudanças comportamentais, políticas e sociais. Suas teses, ensaios, pesquisas, filosofias e dissertações científicas; e ainda contos, crônicas e poesias necessitam chegar ao grande público. Isto, em nossas visões, traduz-se como o mais importante, ao realizar pessoalmente àquele que produz, além de imprimir maior significado e sentido a sua obra. A conquista de uma Cadeira Vitalícia, em uma organização acadêmica, evidencia encontrar-se o escritor ou escritora que a ocupa, em um avançado estágio em sua carreira literária, devendo, esse importante marco, ser muito comemorado, em especial, por remeter ao escritor profissional, Imortal, pelo desígnio acadêmico. Certamente, isto se constitui em motivo de grande alegria pessoal, familiar e social. A diplomação e posse de um escritor (a) em uma academia de letras, em especial, se entende como o reconhecimento e comprovação pública daquele escritor haver consolidado seu espaço no mundo formal literário. Ou, minimamente, em franco caminho estabilizador do escritor profissional. A ALB, entre outras propostas, coloca-se ao lado de todo escritor à conquista desta nova fase em sua vida. No entanto, a ALB foge aos padrões estilizados apresentados pela Academia Francesa. A História da ALB remete diretamente a Ordem de Platão. Buscando-se na fonte, com o próprio precursor, sem estilizar, os exemplos a que deve a instituição fundamentar-se em sua trajetória e ideais, com propósitos organizacionais, procedimentais, filosóficos e normativos de Identidade Própria, como a não limitação de números de Cadeiras nas Seccionais da ALB ou, analisadas apenas ‘quali-quantitativamente’ a obra dos Membros. Isto, por não haver razões que justifique a distinção entre àqueles que se dedicam à arte de escrever. O escritor que queira aderir à ALB exige-se tão somente comprovar ser escritor. Uma vez comprovado, será o escritor orientado ao processo de diplomação e posse em solenidade oficial da ALB aberta ao público. Vale ressaltar que a ALB não exige quaisquer contribuições mensais ou anuais para a outorga de seus diplomas e medalhas. Quaisquer exigências nesse tocante, em quaisquer instâncias da organização, distorcem e extrapolam os ideais e propósitos institucionais da Academia de Letras do Brasil.

Criticartes: Por gentileza faça suas considerações finais sobre nossa entrevista.

Mário Carabajal: Agradeço com veemência à Revista Criticartes pelo estimulante e motivacional convite.
“A entrevista à Revista Criticartes propiciou-me um grande momento de reflexão sobre a trajetória da Academia de Letras do Brasil, seus ideais e metas”
a serem perseguidas. A Revista Criticartes, com apenas um ano, dirigida por seu idealizador, o editor Rogério Fernandes Lemes, consegue tocar profundamente o âmago de quem entrevista. Base essencial a um retorno aos leitores sob máximas de exposição das mentes apontadas pela Revista. Assim senti-me, comprometido em oferecer aos leitores da Revista Criticartes a minha mais ampla e profunda impressão sobre os temas levantados e de questionamentos. Dessa forma, com o passar dos anos, inequivocamente a Revista Criticartes contará com uma verdadeira mostra do fazer literário brasileiro, constituindo-se em uma fonte de pesquisas, séria e comprometida, ao alcance de todos. Imprimir tamanho ritmo a um veículo de comunicação em seu primeiro ano, bem identifica aquele que o dirige – seus ideais e horizontes. Parabéns pelo primeiro ano da Revista Criticartes! Saio desta entrevista à ‘Aniversariante Revista Criticartes’, renovado, emocionado e infinitamente agradecido por tamanho privilégio que me foi concedido por seu Diretor Presidente, Fundador e Editor Chefe, Rogério Fernandes Lemes. Sobretudo por encontrar-me vivo e presente neste marco histórico da literatura brasileira, de comemoração do primeiro aniversário de um veículo Nacional e Internacional de Comunicação, com evidentes princípios, nobres propósitos e irrefutáveis proficuidades.
“Em nome da Academia de Letras do Brasil, utilizando-me das prerrogativas estatutárias, para indicar a Revista Criticartes ao Prêmio ‘Causas Imortais/ALB/2016’, pelos relevantes serviços prestados à Cultura Literária Brasileira”.
Outrossim, desejo êxito contínuo, saúde e sabedoria aos Editores e Colaboradores. Salvas à Revista Criticartes! Nossos sinceros votos de ‘Imortalidade’ a esta verdadeira e extraordinária Obra trimestral de referenciais a um fazer literário em um país ‘pobre politicamente’ - ‘rico em sonhos e ideais’ – ‘riquíssimo em coragem, perseverança e iniciativas’ a exemplo do Escritor e Poeta Rogério Fernandes Lemes e Revista Criticartes – o ‘Criador e a sua Obra’, juntos, completando sua ‘Primeira Volta ao Sol’, em demonstração da possibilidade real de implementação, consecução e transformação de ‘Sonhos em Realidade’. Salvas ao seu idealizador e Presidente - celebridade literocultural brasileira por excelência e força de sua obra, ao conquistar e consolidar espaço meio a um segmento de leitores ‘altamente críticos’ – de intelectos maduros, conscientes, esclarecidos e politizados. Curvo-me para cumprimentar esses célebres intelectuais, cientistas, ativistas culturais, professores e escritores, leitores da Revista Criticartes, com votos sinceros de saúde, prosperidade e uma passagem de ano repleta de alegria, paz e vitórias em seus projetos pessoais, familiares, institucionais e profissionais. Muito obrigado!

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