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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Será que ele é?

Por Danielle Andrade
Foto: Arquivo pessoal.
De todos os feriados que temos no Brasil, o Carnaval é, sem dúvida, um dos mais importantes. O carnaval se configura pela fuga instituída, legitimada, legalizada e aceita da vida cotidiana. Nele, toda rigidez é condenada. Homens, pais de família, mulheres "direitas” podem sair dessas figuras fixas e representativas e serem aquilo que melhor lhes couber em cada situação exposta nos festejos. A “menina de família” pode beijar, transar, “pegar-se” com quem quiser. Seja homem ou mulher: É carnaval! Confetes e serpentinas escondem as figuras (inconscientes?) que surgem pelos becos que cruzam as avenidas festivas. O pobre brinca junto ao rico, mesmo que tenha prestações de abadás parceladas até o mês de dezembro. Pais de família liberam a mulher que existe dentro deles. Alguns liberam travecos ridículos e escrotos na avenida. São seres risíveis, divertidos. E sabemos todos, no carnaval pode! É o momento de exorcizar tudo que foi enfrentado durante os outros onze meses do ano. 

No carnaval, as meninas podem dar folga à santidade “adquirida” (imposta?) durante toda sua vida. Os homens podem sentir-se um pouco livres das competências masculinas, de serem machões; podem ser gays, mulheres, travestis; podem ser gente; podem gostar de pessoas. 

O Carnaval é um feriado especial! A carne é fraca, diz o ditado. Mas, no carnaval a carne é tudo. A carne é festiva e livre! Carne é gostosa e tesuda. A carne é carne. É curioso que logo o Carnaval abra os festejos religiosos. Logo depois da famigerada e impulsiva terça-feira de carnaval vem a santificada quarta-feira de cinzas. Todos aqueles que extrapolaram nos dias anteriores vão à missa de cinzas, e, através daquelas cinzas que nos marcam a testa, estão curados e sarados de todas as chagas e pecados (?) cometidos nos dias anteriores! 

Depois do carnaval, a vida volta a sua rotina. Os libertários e libertinos sofrem da ressaca corporal. A receita é beber bastante água e comer frutas; melancia e água de coco são excelentes! Aos ortodoxos e tradicionais, resta a ressaca moral. A receita para esses é vestir novamente a máscara social do fingir ser o que não é, ir aos cultos religiosos e trazer um pouquinho de cinzas para passar no corpo inteiro, porque somente na testa é pouco! E viva o carnaval!

Danielle da Silva Andrade Alves
Natural de Aracaju/SE. Nasceu em 03 de junho de 1988. Formou-se em Letras Português em meados de 2013 pela Universidade Federal de Sergipe (Campus Professor Alberto de Carvalho) onde participou de projetos como PIBID, PIC-VOL, Bolsa Trabalho. Desde julho de 2012 leciona no CFP-SENAC Itabaiana, vinculo no qual permanece até hoje. Residente em Itabaiana.
Contatos: (79) 99931-3511 e-mail: dani-andrade-se@hotmail.com

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