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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Dos hits aos nichos

Por Rogério Fernandes Lemes
Editor-Chefe da Criticartes
Imagem: trajetodigital.com.br
Se possível fosse um olhar atento para o passado da humanidade, com o auxílio de potente binóculo, perceberíamos claros movimentos sociais de comportamentos, na sua maioria, estruturados pela solidariedade recíproca, ou seja, cooperação dos Homo sapiens para a manutenção do grupo. A revolução agrícola foi um evento mosaico, ao dividir o antes e o depois da história humana.
Essa solidariedade orgânica conforme Durkhein foi identificada, por antropólogos, no cuidado do genro com a sogra viúva. Um uma caçada ou pescaria, o genro passava primeiramente na casa da sogra e deixa um peixe, um animal de pequeno porte ou mesmo um pedaço de uma grande caça.
Outro fator importante, para a paz entre grupos humanos, é a percepção de todos na comunidade de que as “alianças” evitavam a guerra. Depois de tantas violentas lutas sangrentas, os líderes de um determinado grupo perceberam que a troca de suas mulheres pelas mulheres de outros grupos consolidava a paz. Desta forma estaria resolvido o problema do incesto e da indisposição grupal. Com o passar do tempo veio a Revolução Industrial e, novamente, uma nova configuração social surgiu com seus dilemas. A pouco mais de duzentos anos da Revolução Francesa, os seres humanos metamorfoseiam-se continuamente na arte de reinventar-se.
A presente época chamada de contemporânea, pós-modernidade, modernidade líquida, ou ainda, supermodernidade, reproduzem as mesmas práticas dos antepassados pré-históricos: criar meios para a sobrevivência do bando.
Trazendo para a área do conhecimento do jornalismo, não há como negar e não abordar as novas mídias digitais e as estratégias, minimamente duradouras, responsáveis por toda essa reviravolta.
A teoria da cauda longa, por exemplo, de Chris Anderson foi inicialmente publicada em forma de artigo na revista Wired, em outubro de 2004. Cauda longa, conforme descrição na Wikipédia, “é um termo utilizado na Estatística para identificar distribuições de dados como a curva de Pareto, onde o volume de dados é classificado de forma decrescente. Quando comparada a uma distribuição normal, ou Gaussiana, a cauda longa apresenta uma quantidade muito maior de dados ao longo da cauda”.
Em outras palavras e de acordo com o conteúdo apresentado na disciplina, o faturamento gigante do livre mercado, que antes pautava nos hits mais consumidos, seja na indústria musical, editorial e cinematográfica dentre outras, em nada foi afetado quando comparado ao faturamento segmentado, ou seja, os consumidores continuam adquirindo todo tipo de produto de seus interesses, só que agora em uma espécie de “sumário de preferências”.
Segundo o site internetinnovationo termo long tail ou cauda longa, em português, é uma ferramenta que vem sendo utilizada cada vez mais no mercado online por proporcionar resultados positivos na segmentação de conteúdo. Esse é um recurso econômico da internet representado por um gráfico de curva, por isso o nome cauda longa”.
No jornalismo contemporâneo, as novas tecnologias acompanham esta mesma tendência da teoria cauda longa, ou seja, produzir informações segmentadas para determinado público como é o caso dos sites de notícias policiais por todo o Brasil.
Existem pessoas que não gostam do Twitter, por exemplo, mas que buscam notícias em sites de notícias conforme julgam mais acessíveis. Outras utilizam o Facebook ou qualquer outra mídia conforme sua preferência. 
Uma das possíveis causas para que a teoria da cauda longa tenha sucesso são as tecnologias e ferramentas de gravação e acesso a poderosos bancos de dados. Tudo é armazenado por categorias o que facilita a filtragem dos temas procurados pelos leitores.
O fato é que, o jornalista que estiver atento às demandas digitais terá maior possibilidade de ter suas matérias acessadas, lidas, comentadas e compartilhadas.

REFERÊNCIAS
Entenda o que é a cauda longa e como a segmentação do conteúdo pode melhorar seus resultados. Disponível em: https://www.internetinnovation.com.br/blog/entenda-o-que-e-cauda-longa-e-como-a-segmentacao-do-conteudo-pode-melhorar-seus-resultados/. Acesso em 27 de janeiro de 2017.

ANDERSON, Chris. A teoria da cauda longa. 5ª edição. Rio de Janeiro : Elsevier, 2006.

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