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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Rodas do mundo

Joana Alencastro
Porto Alegre, RS, Brasil
@: joana_angel@hotmail.com

Os pés cansados, o suor,
o andar em falso
Acusam a dureza da jornada
Que se arrasta em dias
modorrentos sem relógio,
Rasteja em meses e anos
sem calendário

Os anos passam tão depressa
E as horas tão devagar.
Tanto corremos, tão cansados,
Mas pra onde?

Somos peixinhos dando
voltas num aquário.
Somos ratinhos de laboratório
Resfolegando em suas rodinhas
Tentando, desesperados,
Chegar a algum lugar.

Em algum lugar, alguém repousará,
Mas não nós que temos
fogo sob os pés,
Nós que vivemos pra correr
E corremos pra sobreviver.

Somos animais de circo enjaulados,
Sobreviventes da cadeia alimentar,
Encenando as piores leis da natureza,
Expostos para entreter a quem?
Corremos, corremos tanto,
Movemos as rodas do mundo
Que alguém estará pilotando
Em direção a algum lugar.
Mas não nós que temos fogo sob os pés
E asas que nunca se abrem.

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