Páginas

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Se eu morresse hoje...

Por Rogério Fernandes Lemes
Rogério Fernandes
Se eu morresse hoje
Não sentiria pelas dívidas que tenho
Afinal, quem não as tem?
E não são apenas dívidas econômicas, não.

Quantos pais não estão em dívidas com seus filhos?
Quantos maridos não estão em dívidas com suas esposas?
Quantos chefes não estão em dívidas com seus subordinados?
Quantos amantes endividados com seus amores...

Se eu morresse hoje
Sentiria muito pelos abraços que neguei;
Pelo perdão que não liberei;
Pelo bom dia que calei.

Se eu morresse hoje
Sentiria não pelos projetos que não realizei,
Mas pelas realizações,
Precárias e mesquinhas, que apresentei.

O fato é que não quero, hoje, morrer
Sem amar a minha porção;
Sem abraçar a minha condição;
Sem sonhar meus sonhos de vida
Vida tão frágil,
Tão curta,
Tão única.

Que eu não me arrependa de amar;
Que eu ame sem arrependimentos
Para então, e somente então...
Morrer em paz.

__________
* Sociólogo, Jornalista, Escritor e Poeta; idealizador e Editor-Chefe da Revista Criticartes e da Biblio Editora; membro da Academia Douradense de Letras e da Academia de Letras do Brasil Seccional MS; associado da União Brasileira de Escritores (UBE/MS). Autor do livro Subjetividade na Pós-modernidade.

2 comentários:

  1. Para quem estava procurando um texto perfeito, este está perfeito para mim.
    Ótima reflexão!!
    Parabéns Rogério!

    ResponderExcluir
  2. Obrigado pela leitura Angela Matos. Sinta convidada a compartilhar e a divulgar para outras pessoas.

    ResponderExcluir